A medida (11/01/2026)


Espero ter acertado a medida
entre
a cadência e a decadência,
a decência e a indecência,
o que faço e desfaço,
o que vejo e revejo.

Entre
a cadência de viver
e a decadência do ser,
a decência dos atos
e a indecência dos fatos,
a perícia com que faço
e a delícia que desfaço,
a clareza do que vejo
e a incerteza que revejo
espero ter amado a vida.

(Re)mar contra a morte (04/01/2026)


Quem adentra o mar
busca a latente vida,
e encontra, muitas vezes,
a angustiante morte.

Para, enfim, respirar,
qualquer um é gente crescida,
e se encontra, por vezes,
com a oscilante sorte.

É preciso, sim, remar
contra a insistente partida,
e enfrentar, quantas vezes,
o horripilante norte.

Acho que sou poeta (02/01/2026)



Acho que não escrevo romances
porque não sei viver.
Não posso construir nuances,
nada tenho a oferecer.
Acho que sou poeta, então,
pois sinto medo de viver.
posso ofertar minha ebulição
interna, eterna a permanecer
em alguém que sabe só
assistir.