Tempo sentido (28/05/2026)

O cinto do tempo é justo
O ciclo do tempo é injusto

O curso do tempo é findo
O custo do tempo é infindo

O tempo passa todos todo tempo
O tempo traz ruína como o vento

O tempo não dá tempo pra pensar
O tempo só dá tempo pra aprender

Pense que há tempo para se viver
Aprenda que não há tempo a perder

Breu (19/05/2026)

Meus olhos não se adaptam à escuridão,

não consigo, então, enxergar.

Diante de tamanha opressão,

só me resta continuar.

Buscando uma luz que me faça ver,

este fio que me conduz é o que me faz crer.

Entre os fantasmas que crio e as correntes frustrações,

entre os momentos de brio e as frequentes alucinações,

preciso de todos os sentidos,

preciso seguir sentindo.

Ando indo (16/05/2026)

Quem sabe alguém esteja por você aguardando.

Quem sabe esse alguém ainda esteja dormindo.

Pode ser que eu não seja o que você está esperando.

Pode ser que seja porque eu não esteja indo.

Abra os olhos e veja a realidade lhe espetando.

Abra os olhos e veja que nem tudo é lindo.

Sempre a mente proteja do que está lhe atrasando.

Sempre a mente fraqueja quando o mal está rindo.

Baleia Azul (07/05/2026)


Em meio a este mar de (des)ilusões,
a azul baleia me seduz,
grandiosa, (en)cantadora,
livre e sem fronteiras.

Mesmo que eu não queira
em sua boca adentrar,
os afogados a isso me impelem.
Se a esse rito eu me negar,
não poderei participar da festa.

Uma vez dentro da baleia,
perco a noção do que está por fora.
Não importa. Nada importa!
Para quem está no casulo vil,
só interessa a sua anatomia
e suas possibilidades
de (des)aparecer.

Olhares (02/05/2026)

O olhar não precisa de idioma,
comunica de forma precisa
com a linguagem da alma.

O olhar não precisa de palavras,
comunica de forma concisa
tanto a flor quanto a lama.

O olhar não precisa de vozes,
comunica de forma silenciosa,
se penetrante ou esquivo for,
a humana alma, a humana lama.

Humanos conteúdos (01/05/2026 - 16/05/2026)

Nossos humanos conteúdos
Serão sempre curtidos:
Com a vida do outro conversam
E são fruto dos que perseveram.

Nossos humanos pensamentos,
Nossos humanos sentimentos,
Serão sempre cancelados:
Da visão do outro divergem,
Com o orgulho do outro convergem.

Mas como é difícil amar o inimigo…
Como é penoso perdoar o malfeitor!
Quem, de verdade, é digno de ser amado?
Quem, afinal, merece ser perdoado?

Não conheço quem não queira ser amigo,
Nem vejo quem não queira ser benfeitor.
Aos olhos do outro, somos nós os desalmados,
Pois ninguém está errado para o próprio coração.

Em suma, o nosso maior algoz é o orgulho,
E o egoísmo é a nossa mais envolvente cegueira.