Diário (24/05/2025)

Eu sou um livro aberto,
você é um diário.
Eu sou chave-mestra,
você é um cadeado.

Você me abraça,
mas me sufoca.
Você me acolhe,
mas me aprisiona.

Preciso de você.
Preciso me ver livre…
de você.

Que eu acorde
deste sonho
de nós dois.

Contrapontos (15/05/2025)

Tu és beleza pura

e eu sou só feiura.


Tu és obstinada

e eu sou só um nada.


Tu és puro brilho

e eu sou maltrapilho.


Tu és bela canção

e eu sou exceção.


Não sei o que te atrai,

nem mais ninguém,

para este alguém

que só te trai.

Ser à parte (08/05/2025)

Interpretei os sinais

tarde demais –

e por isso me afasto.

Não compreendi as palavras

nem as ausências –

e por isso me desgasto.


Não sou nenhum cretino!

Mas às vezes não atino,

por isso vivo em desatino –

e ser à parte é meu destino.

Pequeno (01/05/2025)

Eu sou pequeno.

E nunca serei grande,

ou normal…


Tenho medo de ir ao encontro dos outros.

Pode ser que eles não me enxerguem

e acabem pisando em mim.


Porém,

quando é inevitável me misturar,

vou de encontro aos demais.

Então,

parece que todos me veem,

todos me estranham,

e eu me sinto espaçoso.


Gostaria de não ser

assim como eu

sou.

Poema é como… poema (01/05/2025)

Poema é como piada:

quando se explica,

perde a graça.


Poema é como mágica:

quando se pratica,

enche de graça.


Poema é como cura:

quando se aplica,

toda dor passa.


Poema é como reza:

quando se suplica,

todo mal passa.