Modernizadas amazonas (17/08/2022)

Como são belas as mulheres

frágeis em suas frágeis motos,

assim como frágil é a vida

em cima de uma moto.

Modernizadas amazonas

em sua ânsia de mostrar

coragem e autonomia

indo às suas ocupações,

    indo às suas distrações,

        indo às suas frustrações,

para o além indo…

E também voltando,

quando possível for,

enfrentando os perigos do mundo,

usando a tempestade oculta

em seu aspecto de bonança.


Modernizadas amazonas

me encantam e preocupam,

pois nem toda a tragédia

é intimidada pela beleza.

Poema imprevisto (23/06/2022)

 Quando a desgraça nos bate a porta,

Nossa vida vira do avesso.

Ninguém espera por um tropeço,

Se desespera com a sina torta.


Ninguém sabe onde encontrar forças,

Mas sempre procura nos seus.

É que quem nos encontra é a força,

Essa energia que se chama Deus.


Ele entra em nossa sintonia

E nos dá um caminho a seguir.

O tempo acomoda a agonia

E voltamos assim a sorrir.

Sem nome (02/07/2021)

Tornei-me um (f)útil androide,

Para dar conta de tantas contas

E da incalculável palpável papelada.

Girando, (re)fazendo… [ – Gerúndios, em frente!]


Tornei-me um burocrata insensível!

Não há mais espaço para a poesia;

Nem para qualquer arte que não faça parte

Do programa pelo líder instituído.


Sentimentos só me fazem errar,

Pois não se encaixam nos dados

Das minhas planilhas…

E me desfocam do meu fim.


Preciso ser profissional,

Acima de tudo,

Acima de todos,

Sem espaço para o ocasional.


Preciso cumprir!


Compromissos que (não) assumi.

Autorama (23/11/2020)

Nasci em uma cidade pequena,

com oportunidades pequenas,

pessoas pequenas

e horizontes pequenos.


Como nunca me vi grande,

daqui não desejei sair.


Quando tentei crescer com esse lugar,

me vi pequeno

em importância,

em capacidade,

em visão de mundo.


E fiquei imóvel

nesse campo pequeno,

que, ao que parece,

gosta da sua pequenez.


(Acho que me habituei à minha.)

Foguetinho (02/08/2020)

 Lá vai o esperto Apollo,

pulando, correndo, descobrindo...

Difícil é vê-lo no solo!

Brincando, mexendo, subindo,

não para quieto no colo!


Como um foguete,

busca sempre a novidade.

Olha quanta felicidade,

no alto, todo contente.


Cinza e branco, é um lindinho.

Que espanto de gatinho!


Quando está espevitado,

o bichano é um danado!

Testa de todos a paciência,

usando a sua sapiência.

Pinguinho de gatinho (02/08/2020)

 O felino Thor

é mesmo um herói!

Tão querido

que é um amor,

tão pequeno

que até dói.


Come, come

e volta a comer.

Isso é o que ele

mais sabe fazer.


Com o olhar sempre profundo

e o sorriso maior do mundo,

ele afasta qualquer mau caminho,

pois é o pinguinho de gatinho.


É engraçado e a todos encanta,

de sua família os males espanta.


Calejado (29/04/2020)

Apesar dos pesares,
Eugênio sempre vencia
as mais duras batalhas da vida.

Mas, assim como na história
da água mole em pedra dura,
Eugênio encontrava-se
(ou se perdia, talvez)
cada vez mais fragilizado
após tanto lutar.

No fim, soldado ao chão,
acabou perdendo uma guerra:
uma guerra que nunca havia idealizado.

Alguém (29/04/2020)

Roubaram todos
os seus documentos.

De uma hora para outra,
descobriu-se um ninguém...

...o que se seguiu
até depois
de recuperar seu papel.

Batalha perdida (29/04/2020)

Lutou
a vida inteira
para ser
aceita.

Quando
a exaustão lhe nocauteou,
teve de aceitar
o seu
defeito de nascença.

Ação/Reação (29/04/2020)

Detestava
todo o mundo.
Repelia
todo o mundo.

Fazia questão de ser
diferente.
Odiava ser
diferente.

E sentia muita falta
das outras pessoas...