Rasgos (18/09/2026)

O tempo passa
e a tudo vai desgastando.
O tempo passa
e a tudo vai acomodando.

É preciso dar manutenção!

Consertamos a casa,
consertamos o carro,
costuramos os rasgos
nas roupas, na pele…

Damos um jeito em tudo!

Só não damos um jeito
nesta vazia vida vigarista.

Menu (17/09/2026)

O cardápio está exposto,
cada vez mais diverso,
mais acessível e farto –
e custa cada vez mais
caro, meus caros,
cada vez mais, cada vez mais…

O usuário pede sempre a mesma coisa,
embora esteja enjoado, enojado
(melhor não trocar o certo pelo duvidoso).
E o restante na estante, em stand by,
esperando tanta coisa, tanta coisa…
tentando não apodrecer,
tentando não desligar,
não desaparecer e afundar (ponto final)

Tempo é ouro (09/09/2026)


A gente não tem tempo

nem para sentar

e conversar

sobre a vida.


A gente não tem tempo

nem para conversar

sobre como a vida

anda sofrida.


A gente não tem tempo

nem para sentar…


A gente

simplesmente

(ou complexamente)

não tem tempo.

Se eu fosse feliz… (06/09/2026)

Se eu fosse feliz,
não seria poeta.
Todo poeta deve cultivar
uma melancolia que diz muito.

Buscando um verso fortuito,
o poeta vive a alinhavar
o que o torna poeta
e esconde a cicatriz.

Turno noturno (06/09/2026)

No turno noturno,
sortudo é o soturno.

Veemente e ligeiro,
vê semente de vespeiro
se mente primeiro.

Se há alma dura,
sele a armadura,
que a visão é arma dura.