Interpretei os sinais
tarde demais –
e por isso me afasto.
Não compreendi as palavras
nem as ausências –
e por isso me desgasto.
Não sou nenhum cretino!
Mas às vezes não atino,
por isso vivo em desatino –
e ser à parte é meu destino.
Interpretei os sinais
tarde demais –
e por isso me afasto.
Não compreendi as palavras
nem as ausências –
e por isso me desgasto.
Não sou nenhum cretino!
Mas às vezes não atino,
por isso vivo em desatino –
e ser à parte é meu destino.
Eu sou pequeno.
E nunca serei grande,
ou normal…
Tenho medo de ir ao encontro dos outros.
Pode ser que eles não me enxerguem
e acabem pisando em mim.
Porém,
quando é inevitável me misturar,
vou de encontro aos demais.
Então,
parece que todos me veem,
todos me estranham,
e eu me sinto espaçoso.
Gostaria de não ser
assim como eu
sou.
Poema é como piada:
quando se explica,
perde a graça.
Poema é como mágica:
quando se pratica,
enche de graça.
Poema é como cura:
quando se aplica,
toda dor passa.
Poema é como reza:
quando se suplica,
todo mal passa.
As coisas não são antigas
Até que você as conheça.
Aquilo que lhe é inédito
É a real novidade.
As coisas não são antigas
Até que você as feneça.
Por isso, sempre dê crédito
Àquilo que tem qualidade.
As coisas não são antigas
Enquanto as tem na cabeça.
Aquilo que está no recôndito
É o que traz felicidade.
Eu adoro livros de bolso!
Porque a minha casa é de bolso,
a minha vida é de bolso...
Mas...
não adianta eu ficar aqui
fazendo estes versos de varde.
Aliás,
nem existe "de varde".
Li num livro
que o correto é "debalde".
Só que "debalde"
não cabe neste poema.
O balde enche demais,
e este poema é vazio.
E, além do mais,
o "de varde" é tão correto
quanto a minha vida vazia.
Estou cheio!
Ela sempre lembrava
do que devia esquecer
Ela sempre esquecia
do que devia lembrar
Ela sempre sorria
quando devia chorar
Ela sempre chorava
quando devia sorrir
Ela sempre buscava
o que devia evitar
Ela sempre evitava
o que devia buscar
Estava sempre acordada
quando devia dormir
Estava sempre dormindo
quando devia acordar