Somente (24/09/2025 -- 26/05/2026)

Levo uma vida dura,
uma vida pobre,
uma vida podre,
mas uma vida pura –
onde só levo.

Levo uma vida escura,
uma vida parca,
uma vida porca,
uma vida sem textura –
por isso só escrevo.


***


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Sem retorno (21/09/2025)

Eu moro longe até do que é perto,
Em um lugar onde tudo é mato:
Pessoas, moradas, animais, calçamento.

De civilidade o bairro é deserto,
E os corações são de duro cimento.
Não dá pra aplaudir qualquer ato –
Melhor é não ter conhecimento.

Eu moro em um túnel desolado,
No qual não encontro a luz.
Nesse trajeto vil e esburacado,
A esperança sutil me conduz.


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Insosso sabor (20/09/2025 – 23/10/2025)

O maior desafio do professor
não é ensinar quem não quer aprender,
mas preparar algo com sabor
com alimentos a vencer,
pagos com alheio suor
– e que precisa oferecer.

Ele até poderia, talvez,
tentar novos ingredientes,
mas ninguém quer escutar
os invisíveis professores –
nem alunos, nem gestores,
nem a sociedade a mastigar
escola e esperança, vorazes.



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Pré-venda da obra poética "Contudo (sublimações)", de Guilherme Mossini Mendel


Olá, pessoal!


Hoje, iniciou a pré-venda do livro de poesia "Contudo (sublimações)", que oferece ao público quarenta poemas de minha autoria, bem como a apresentação e a organização da escritora Bárbara Seibel.

Quem puder, proporcione o seu apoio ao meu trabalho, adquirindo um exemplar da obra no link: (comprar "Contudo")


Muito obrigado pela atenção!






Tempestade & Temperança (31/08/2025)

Paixão queima,
arde, transparece.
Sensação que teima,
minha mente enlouquece.

​Amor abranda,
mas aquece a alma.
Luz que nos acalma,
farol que nos comanda.

​Paixão é mar revolto:
revira até o que há lá no fundo.
Age como bandido solto,
finge-se de sentimento profundo.

​Amor é lago manso:
se surge, traz segurança.
Não é fugaz! Da temperança,
sem dor, urge o remanso.

Angústia (24/08/2025)

Qualquer lugar é caminho para outro.
Qualquer pessoa é caminho para outra.
Outro lugar é a reta de quem busca;
Outra pessoa é a meta que me ofusca.
Busco um lugar pra onde eu possa partir!
Busco um luar que me faça sorrir…
Nenhum destino é tão bom quanto o meu?
Em desatino, fujo de quem sou eu.

Inverno




Vento gelado e cortante
Frio que chega aos ossos
Sofrida beleza fascinante
Paisagem que encanta os nossos
O inverno castiga o Sul


(*poema estruturado no estilo japonês "gogyoshi")

Encontro



Frio na barriga
Tormenta no coração
É chegada a hora


(*poema estruturado no estilo japonês "haicai")

Em nós (23/05/2019 - 07/06/2025)

Como podemos ser filhos Dele,
se maltratamos a Sua obra?

Temos medo de um
demônio invisível,
enquanto ele age
dentro de nós.

Como podemos ser filhos Dele,
se maltratamos a Sua obra?

Deus está em cada animal,
observando a atividade
dos filhos bastardos
que ousara criar.

Como podemos ser filhos Dele,
se maltratamos a Sua obra?

Resgate (22/02/2011 – 07/06/2025)

Rodando pela rotina dura,
enganou-se como quem procura
uma lúcida e latente loucura.
Agora, volta à vida e volta a vida.
Ele, então e enfim, compreende…
que o percurso é feito
de tantos baixos e poucos altos,
de pedras e sobressaltos
e de penosos feitos;
que todos têm defeitos,
tanto o rei quanto os arautos;
que não há drogas ou remédios
capazes de espantar o tédio,
de facilitar a felicidade,
de erigir esconderijos
e de oferecer oferendas
que sustentem
a paz.