Quero mais (28/10/2025)

Estou tirando de cena
coisas que não quero mais
pessoas que não quero mais

Rumo removendo o resto
estou eliminando o excesso
indiferente a qualquer pena

Quero mais é me ver livre

Vaivém (22/10/2025)

ou sou
meu eu
ou sou
seu eu

ou eu
sou seu
ou meu
não sou

Vazio (22/10/2025)

Nunca fui cheio de mim.
Apesar de ser eu mesmo,
Sempre fui vazio de mim.

Mas estou cheio, sim –
Não cansei de mim,
E sim, dos demais.

É gente demais!
Gente (?) cheia de si,
Vazia e a esmo.

Grão de areia (20/10/2025)

Você é só um grão de areia 
neste inóspito deserto.
Alguns grãos de areia
até reluzem mais do que outros.
E, por isso, quem sabe,
mereceriam maior atenção. 
Mas, no inevitável fim,
todos seremos engolidos pelo oceano.

Se você, por acaso, sumisse,
somente os grãos de areia vizinhos
notariam a sua ausência.
Então, não se ache tão valioso,
não se julgue tão importante.
Porque, no fundo, menos ou mais,
todos somos, adoráveis ou vaidosos,
absolutamente irrelevantes,
completamente banais...

e, por isso mesmo:
iguais.




Rimar (20/10/2025)

Não sou lido
nem lindo.
Não sou feio
nem tenho freio.
Não sou dama
nem faço drama.

Sou um poeta
também pateta.
Sou um docente
também discente.
Sou um humano
sul-americano.

Este meu texto
não é um poema?
Não é problema,
talvez pretexto...

Para brincar,
para brindar,
para rimar,
para rir e amar.



As Noites de Domingo (12/10/2025)

O anoitecer de Domingo
é mais escuro.
O anoitecer de Domingo
oprime, comprime
o peito.
As noites de Domingo
simbolizam o luto.
As manhãs de segunda
simbolizam a luta,
prenunciam a batalha…

…perdida.

E isso não é fantástico!

Conhece o Mario? (24/09/2025)

Sempre me disseram:
“Poesia não enche barriga,
veja o Mario Quintana.”

Hoje, engulo prosa e poesia,
muita crônica na hora certa,
muito conto nos intervalos...

E acho o Quintana
o melhor de todos!


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Somente (24/09/2025 -- 26/05/2026)

Levo uma vida dura,
uma vida pobre,
uma vida podre,
mas uma vida pura –
onde só levo.

Levo uma vida escura,
uma vida parca,
uma vida porca,
uma vida sem textura –
por isso só escrevo.


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Sem retorno (21/09/2025)

Eu moro longe até do que é perto,
Em um lugar onde tudo é mato:
Pessoas, moradas, animais, calçamento.

De civilidade o bairro é deserto,
E os corações são de duro cimento.
Não dá pra aplaudir qualquer ato –
Melhor é não ter conhecimento.

Eu moro em um túnel desolado,
No qual não encontro a luz.
Nesse trajeto vil e esburacado,
A esperança sutil me conduz.


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Insosso sabor (20/09/2025 – 23/10/2025)

O maior desafio do professor
não é ensinar quem não quer aprender,
mas preparar algo com sabor
com alimentos a vencer,
pagos com alheio suor
– e que precisa oferecer.

Ele até poderia, talvez,
tentar novos ingredientes,
mas ninguém quer escutar
os invisíveis professores –
nem alunos, nem gestores,
nem a sociedade a mastigar
escola e esperança, vorazes.



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