Menino invisível (11/04/2026)


Um menino escrevia
num muro seu nome,
enquanto antevia
um futuro sem fome.

Cresceu entre becos,
sem voz nem razão,
contando seus trecos
na palma da mão.

Dormindo na praça
ao som da cidade,
as ruas perpassa
sem felicidade.

Seu grito calado
cortando o local,
tal bicho abalado,
frustrado animal.

Driblava a miséria,
malandro e selvagem;
volteava as artérias,
fugindo das margens.

Queria dinheiro,
respeito e fama;
corria matreiro,
sem medo, na lama.

O menino invisível
chamava a atenção;
carrão conversível,
malvada intenção.

Num lugar cruel
que a ninguém acolhe,
seu lar era o fel
que a todos encolhe.

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